sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Quando estou fraco então sou forte

2 Coríntios 12:10 - Por isso sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias por amor de Cristo. Porque quando estou fraco então sou forte.


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Quando o Apóstolo Paulo entendeu o significado de aperfeiçoamento espiritual do seu “espinho na carne” permitido pelo Senhor, finalmente concluiu: “Pelo que, sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias, por amor de Cristo. Porque quando estou fraco, então estou forte” (II Coríntios 12:10).

Pessoas normais não sentem prazer em suas fraquezas e angústias. Principalmente, quando elas não acontecem “por amor de Cristo”. Fraquezas e fortitude não devem ser avaliadas fora do contexto de nossa história de vida. Quando abusamos da saúde, quando não nos exercitamos, quando não nos alimentamos com equilíbrio, não há como nos gloriar na fraqueza: nestes casos, fraqueza é uma consequência natural e uma punição.

Quando, entretanto, nosso objetivo é desenvolver saúde espiritual, dentro das regras dos ensinos de Jesus, sentir orgulho e vaidade é um obstáculo sério e perigoso. Saúde espiritual, a Bíblia deixa claro, é viver na dependência do Senhor, é submissão ao poder Dele. Por isso, para garantir nossa comunhão com Cristo, o Espírito providencia situações de confrontação e comparação, que desmascaram nosso individualismo e egocentrismo. É dentro deste contexto que admitir a própria “fraqueza” torna-se um bom indicador de saúde e de compreensão do “amor de Cristo” em nossa vida. “Quando estou fraco” é um bom termômetro.

Pr. Olavo Feijó

QUEM FOI QUE DISSE QUE EU SOU BOM ?


 de Dorian Anderson Soutto




“Ninguém é bom, senão um, que é Deus.” (Lucas 18:19)


Certa vez eu estava reunido com a liderança local para tomar algumas
decisões e apenas fiquei ouvindo. Ouvi vários comentários, idéias que
aprovei e outras que detestei, mas em determinado momento foi pedida
minha opinião.

Eu já tinha meu ponto de vista, mas ao ouvir outras idéias que eram
contrárias à minha, meu coração se endureceu fazendo com que, ao me
levantar e me pronunciar, praticasse uma "verborréia", ou seja,
falar, falar e não dizer nada.

Eu queria ao mesmo tempo atacar a idéia de outras pessoas e defender
a minha. Não fiz nem uma e nem outra. Muito pior que isto foi que
quase magoei pessoas que eu amo.

Após o evento, já em casa tomando uma ducha, estava a meditar no que
acontecera:
- Faltou-me Mansidão. Faltou-me domínio próprio. Falhei! - Disse
comigo mesmo.
- Preciso mudar! Eu tenho que mudar!

Quando revejo minhas atitudes logo vem algo em mente: "Frutos", quais
frutos estou produzindo. Então Leio Gálatas 5:22,23 para lembrar dos
frutos.

E é aí que está meu maior problema, "eu" estou produzindo frutos e
não é isto que a Bíblia ensina. O fruto é do Espírito. Enquanto eu
estiver produzindo frutos estarei fadado ao fracasso.

Sou pecador, então me pergunto, quais são meus frutos naturais?

Uma árvore boa não pode dar maus frutos; nem uma árvore má dar frutos
bons. (Mt 7:18)

Tentar fazer uma árvore produzir um fruto que não seja característico
de sua espécie não dá certo. É como pendurar uma maçã em uma
laranjeira. O fruto permanecerá por um tempo, mas logo secará.

A carne nunca produzirá algo que somente o Espírito Santo pode fazer.

Talvez seja por isto que tem muita gente que vive frustrada por não
atentar a este pequeno detalhe. Pensam que os frutos são seus.
Esforçam-se para ser bons, para ter paciência ou sentirem paz, mas
logo se frustram por não conseguirem.

Eu desisti! Parei de tentar. Jesus deu-me uma dica: "Sem mim nada
podeis fazer! (Jo 15:5)".

Cansei de tentar obter mudanças em minha vida. Eu não consigo ser
manso, ter domínio próprio, ser fiel, ter paciência. Por mais que me
esforce, só consigo resultados temporários e falsos. Apenas uma
máscara.

Posso assistir milhares de palestras de positivismo,
neurolinguistica. Posso morder a lingua, me flagelar, me concentrar
em mim mesmo. Posso tentar o que quiser para mudar. Sempre fracasso
se não atentar para este pequeno detalhe, "o fruto não é meu!"; não é
da carne, é do Espírito.

Posso até conseguir resultados aos meus próprios olhos, ou para as
pessoas que me rodeiam. Mas serão como aqueles frutos de cera,
lindos, mas que não atendem o propósito de um fruto.

Talvez com meus esforços conseguirei medalhas de honra, elogios e
reconhecimentos. Entretanto será de carne para carne somente; nada no
âmbito espiritual, nada de investimento no eterno; somente "frutos"
passageiros.

Isto é terrível, pois nossa pobre mente talvez não entenda ver uma
pessoa agindo com bondade aos nossos olhos, mas aos olhos de Deus
esta obra ser como trapo imundo. De carne para carne... Não tem como
ser de carne para Deus? NÃO! Deus é espírito e O adoramos em
espírito, O adoramos com frutos do espírito.

Não tem atalhos, não é obra de nossas mãos, o mérito não é meu. Se eu
for chamado de bom é por que Deus é bom e eu sou apenas um canal de
sua bondade. Eu não sou bom, Deus é bom...

Tudo provem dEle e para Ele!

A carne não melhora, a carne não está pronta. É o Espírito quem está.
Nosso exterior se corrompe; o que se renova de dia em dia é nosso
interior. (2 Cor 4:16)

Todo resultado externo que seja considerado bom é a vida de Jesus que
se manifesta em nossos corpos, em nossa carne mortal. (2 Cor 4:10)

Não existe estrelismos aqui onde todos fomos encerrados debaixo do
pecado. Se tem alguém que se destaca nos frutos é apenas a ação de
Deus em sua vida. O que não se destaca é a falta da ação de Deus em
sua vida, limitado não por Deus, mas por nós mesmos com uma
alimentação debilitada do Espírito Santo.

Se quero melhorar, não tem formulas mágicas: é Bíblia na mão e
comunhão com o meu Senhor. Somente assim o Espírito produzirá
verdadeiros frutos.

E como disse Martinho Lutero, "Uma árvore nunca produz frutos para
seu próprio consumo". Se minha busca pelo fruto for para eu aparecer,
ou beneficio próprio, já estou no caminho errado.

O fruto é natural. Vem de intimidade e comunhão com Deus através de
oração e da Sua palavra, sempre querendo fazer a Sua vontade. E isto
trará o reconhecimento de atitudes erradas e o empenho em fazer o que
é correto no temor do Senhor, buscando nEle ajuda para isto. Esta
busca produzirá o fruto do Espírito.

O resultado disto será pessoas à nossa volta querendo saber qual
árvore produz tão belos frutos. Seremos sal, seremos luz, o fruto
atenderá ao propósito para o qual foi designado.

Esta busca trará respostas às nossoas orações:

Vós não me escolhestes a mim, mas eu vos escolhi a vós, e vos
designei, para que vades e deis frutos, e o vosso fruto permaneça, a
fim de que tudo quanto pedirdes ao Pai em meu nome, ele vo-lo
conceda. (João 15:16)

Pois a verdadeira oração é fruto do espírito e não da carne.

DMX - Lord Give Me A Sign (LEGENDADO PT-BR)

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Somos capazes de nos orgulhar de coisas em nós que são essencialmente vergonhosas.



Estou lendo a autobiografia de Andre Agassi. Para aqueles que não acompanham as competições de tênis, talvez tal nome não diga nada. Porém, os fãs desse esporte sabem que Agassi é considerado um dos cinco melhores tenistas da história.

Um espetacular jogador, que, curiosamente, entrou nas quadras não por opção, mas pela intensa obsessão do seu pai. Quando o filho tinha cinco anos, ele já o forçava a bater na bolinha amarela com uma raquete. “Você tem que rebater diariamente 2.500 bolas, para sonhar ser um grande tenista”, dizia repetidamente.

No penúltimo jogo da sua carreira, prestes a abandonar as quadras, Agassi descreveu uma interessante jornada por suas memórias. Mentalmente, viu dentro de si a criança que um dia foi, rebatendo bolinhas como louco, para alimentar um sonho que não era seu. Lembrou-se dos altos e baixos, das dores e alegrias, de tudo quanto fizera até chegar àquele condição – um homem rico, famoso e consagrado. A criança do passado fora substituída por um superastro, mas ele não pôde deixar de fazer a si mesmo um inquietante questionamento: será que a pessoa que havia se tornado era alguém de quem o menino que ainda trazia consigo teria orgulho? Por outras palavras: ele realmente poderia se orgulhar da pessoa que havia se tornado?

Esta não é uma pergunta que, de tempos em tempos, todos nós deveríamos nos fazer? Nós, que somos engolidos pelo cotidiano, pressionados pelos compromissos profissionais e financeiros, sobrecarregados pelas múltiplas demandas pessoais e familiares; nós, que corremos atrás do vento, buscando resultados e reconhecimento; que lutamos para manter um padrão de vida – o que muitas vezes acarreta o sacrifício de sua qualidade – e que acordamos cedo e dormimos tarde, na tentativa de aliviar o cansaço para logo depois começar tudo novamente... O tempo vai passando e, à medida que a vida escorre, eu e você vamo-nos transformando em alguém, vamos sendo moldados nas formas da nossa existência. É uma metamorfose inexorável, da qual ninguém escapa.

Experiências boas e ruins vão compondo nossa jornada. Elas podem nos transformar em um indivíduo a ser detestado por nós mesmos ou pelos outros ou em alguém que nada mais é que uma versão madura e bonita da criança que um dia fomos. Acontece que podemos nos tornar uma pessoa deformada e detestável e, ainda assim, gostarmos desta versão de nós mesmos. Somos capazes de nos orgulhar de coisas em nós que são essencialmente vergonhosas. Por isso mesmo, uma segunda reflexão, ainda mais desafiadora, nos é colocada. Será que estamos nos transformando na pessoa que Deus deseja que sejamos?

Verdade que a pessoa em quem estamos nos tornando não é uma criação somente nossa. Ela é resultado das múltiplas influências que incidem cotidianamente sobre nós. Ao longo dessa jornada chamada vida, vamos interagindo com pessoas, com ambientes, com experiências – e é o somatório disso tudo que nos transforma em quem somos. Por saber disso, Deus coloca santas influências em nossa vida, para que, a partir delas, cada um de nós possa ser moldado às condições que ele gostaria que tivéssemos. Quanto mais convivemos com elas, tanto mais próximos estamos do desejo do Senhor. Se descobrirmos quais são essas influências divinas que atuam sobre nós, poderemos, conscientemente, conviver mais de perto com elas, a fim de que sejamos transformados em alguém de quem não somente nós mesmos gostemos, mas, sobretudo, que agrade ao Pai de amor.

Em sua infinita sabedoria, Deus encontrou uma maneira emblemática de nos ensinar isso. Um dia, no passado, ele mandou um de seus profetas entre o povo de Israel, Jeremias, visitar o atelier de um ceramista. Lá chegando, ele viu as hábeis mãos do oleiro transformar lama e barro em lindos vasos. Aquela matéria prima disforme e de aspecto desagradável, nada mais que terra misturada à água, virava verdadeiras obras de arte. Deus queria que o profeta e todos nós víssemos que esta era a história dele conosco. Sim, não importa que sejamos apenas lama, mas sim, aquilo em que podemos nos tornar – vasos de barro, feitos para a glória do Senhor.

Andre Agassi teve a coragem impressionante de admitir que sempre detestou o esporte ao qual se dedicou durante trinta anos. A razão disso? Ele simplesmente descobriu que viveu para ser alguém que era simples projeto de um pai tirano. Ainda bem que tanto ele como nós podemos buscar coisa diferente: ser aquela pessoa que o Pai deseja que cada um de nós seja. A pergunta crucial, que cada um de nós deve responder a si mesmo, é: Que tipo de pessoa estou me tornando?

Eduardo Rosa


domingo, 13 de fevereiro de 2011

ROGAMO-VOS

Rogamo-vos, pois, da parte de Cristo, que vos reconcilieis com Deus.” II Co 5.19,20.






Fui convidado para o aniversário de uma igreja onde a reunião começou com o alarido de um shofar, em seguida o pastor convocou a congregação para uma peregrinação em direção a tenda do Abraão que estava montada atrás do púlpito, depois a viagem seguiu rumo a benção contida dentro de uma replica da arca da aliança no canto direito da igreja e por fim todos receberam a unção com óleo de Israel.

No final da reunião pensei: Como é possível uma igreja que se diz cristã passar pela tenda do Abraão, pela arca da aliança, receber o óleo ungido de Israel, e não passa pelo significado da cruz em sua liturgia?

É crescente o número de comunidades cristãs com rituais e liturgias saturadas com simbolismos e figuras judaicas. É inegável o significado histórico da cultura judaica para o cristianismo, de modo que, não resta dúvida da importância hermenêutica que as figuras do antigo testamento carregam consigo para a interpretação da graça divina contida no novo testamento, mas, fazer do culto cristão um ato cerimonial essencialmente judaico é não discernir o significado e a liberdade contida em Cristo Jesus.

Shofar, estrela de Davi, arca da aliança, pano de saco, teshuvá e outros apetrechos judaicos tem ganhado mais importância em alguns redutos cristãos do que o próprio significado da cruz.

O perigo é inegável quando a centralidade da vida, das Escrituras e do culto, deixa de ser Jesus Cristo e passa a ser um outro elemento, ainda que tenha grande relevância ou significado religioso.

Quando todos os símbolos religiosos são colocados diante do significado da Cruz, tornam-se apenas sombras. Todos os rituais religiosos do antigo testamento quando confrontados com a liberdade cristã, passam a ser simplesmente apontamentos que existiram no passado e que indicavam a graça de Deus em Cristo Jesus.

O apóstolo Paulo enfrentou a força do ritualismo religioso, tendo inclusive que inúmeras vezes denunciá-lo e combate-lo: “É alguém chamado, estando circuncidado? fique circuncidado. É alguém chamado estando incircuncidado? não se circuncide. A circuncisão é nada e a incircuncisão nada é, mas, sim, a observância dos mandamentos de Deus. Cada um fique na vocação em que foi chamado.”I Co 7.18-20

O modus operandis da graça divina simplificou o caminho em direção a Deus, fazendo com que, os rituais e as performances religiosas perdessem o seu valor e significado diante da plenitude de satisfação do sacrifico de Cristo Jesus diante da justiça divina.


Mas como abandonar as performances humanas relacionadas ao rito? O que fazer com os diversos apetrechos litúrgicos que encantavam e ludibriavam a alma? Como substituir o complexo, ardoroso e extensivo sistema litúrgico da auto justificação humana pela simplicidade da liberdade em Cristo Jesus?

O abandono da religiosidade pagãs sempre foi o desafio de toda alma humana propensa ao ritualismo, que procura evitar a qualquer custo os benéficos da graça divina.

Um dos objetivos da graça de Deus em Cristo Jesus é promover uma varredura e libertação do paganismo, amuletos, e toda espécie de quinquilharia religiosa que objetivam substituir a glória de Deus manifestada em Cristo.

O que estão chamando de evangelho forte (principalmente pela teologia da prosperidade) tem gerado pessoas fracas e adoecidas espiritualmente, enquanto que, a máxima do evangelho permanece o mesmo – “Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não lhes imputando os seus pecados; e pôs em nós a palavra da reconciliação. De sorte que somos embaixadores da parte de Cristo, como se Deus por nós rogasse. Rogamo-vos, pois, da parte de Cristo, que vos reconcilieis com Deus.” II Co 5.19,20.

Estou convencido de que, quanto maior for a centralizada singela em Cristo Jesus, mais poderosa será a vida da Igreja.

Samuel Torralbo